Basta pôr música para um cabo-verdiano e já se começa a dançar. Não é um cliché; o Marco já viu isso acontecer literalmente centenas de vezes em Santiago: num aniversário, num barzinho local, simplesmente na rua. A música e o ritmo estão entrelaçados na vida quotidiana, e parte dessa tradição teve origem aqui, em Santiago.
Morna: a alma de Cabo Verde
A morna é o estilo musical mais conhecido dos Cabo Verdes: melancólico, poético e profundamente enraizado na saudade, uma espécie de desejo nostálgico. A sua maior embaixadora foi Cesária Évora, a ‘Diva Descalça’ de Mindelo (São Vicente), que tornou a morna mundialmente famosa por se apresentar sempre descalça. Desde 11 de dezembro de 2019 que a morna figura oficialmente na lista da UNESCO do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Quem ouvir música ao vivo à noite num restaurante em Santiago, ouvirá frequentemente morna.
Batuque: nascido em Santiago
Enquanto a morna está ligada a São Vicente, o batuque (também escrito batuku) é uma tradição originária especificamente de Santiago. Surgiu entre as mulheres que trabalhavam no campo durante a colonização portuguesa. Como os tambores eram proibidos, as mulheres usavam panos enrolados, chamados ‘txabeta’, como instrumentos de percussão entre as pernas. Uma batucadeira conduz o grupo numa canção com uma estrutura de chamada e resposta, enquanto as outras respondem ritmicamente e dançam. O governo colonial chegou mesmo a proibir o batuque, pois era visto como um «ensaio para a liberdade». Após a independência, em 1975, o batuque passou a ser ativamente promovido como orgulho nacional. Se estiver em Santiago durante uma festa local, é muito provável que assista a um batuque ao vivo: uma tradição que em nenhum outro lugar das ilhas está tão viva como aqui.
Funaná e dança
Para além do batuque, o funaná é a outra grande tradição de Santiago: um estilo de dança contagiante ao ritmo do acordeão e do ferrinho (uma vareta de ferro que se raspa). Tal como o batuque, o funaná foi durante muito tempo reprimido, uma vez que era considerado demasiado africano e sensual pelas autoridades coloniais. Hoje em dia, ouve-se por todo o lado nas festas. Também a kizomba, originária de Angola, mas com uma variante cabo-verdiana própria, é muito dançada.
Carnaval nos Cabo-Verdes
Em fevereiro, o país vive o carnaval do Mardi Gras, sendo que a maior edição tem lugar em São Vicente. Em Santiago, as aldeias e cidades celebram os seus próprios desfiles, de menor escala, com trajes coloridos e música ao vivo.
A vida quotidiana e o Morabeza
Por trás de toda a música está uma palavra que se repete constantemente em Santiago: Morabeza. É difícil traduzi-la numa única palavra, mas resume-se a hospitalidade, convívio e uma atitude descontraída perante a vida. Isso nota-se na rapidez com que um habitante local te convida para dançar, ou na naturalidade com que surge uma conversa no mercado de Assomada.
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Descubra a cultura de Santiago com o Marco
Os nossos passeios levam-te aos mercados, aldeias e locais onde a cultura local ainda está viva no dia-a-dia, e não apenas durante um festival.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre o morna e o batuque?
O morna é melancólico e poético, com raízes em São Vicente. O batuque é rítmico e enérgico, com raízes específicas em Santiago, e era originalmente interpretado por mulheres como forma de resistência à colonização.
Como turista, posso assistir a um espetáculo ao vivo de batuque ou funaná em Santiago?
Sim, sobretudo durante as festas locais e nos barros fora do centro turístico. Pede ao teu guia para te levar, porque raramente se encontram os melhores espetáculos nos guias de viagem.
Quem foi Cesária Évora?
A cantora de morna mais famosa do mundo, nascida no Mindelo, conhecida como a ‘Diva Descalça’ por se apresentar sempre descalça. A sua música colocou os Cabo Verdes no mapa mundial.